sexta-feira, 30 de julho de 2010
Caeiro, sem sangue nas veias
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Sobre a solidariedade

terça-feira, 27 de julho de 2010
Conscienciologia e Projeciologia
É um vídeo proposital. Provavelmente todos entenderão muito pouco, assim como eu. Faz algum tempo que essa "ciência" tem chamado minha atenção e, por isso, queria compartilhar a pouca informação que tenho com quem passa por aqui. A conscienciologia e a projeciologia são ramos de uma nova ciência que estuda os fenômenos de projeção consciente fora do corpo. Não é espiritismo, não é religião e não se precisa acreditar em nada que não se possa ver/perceber/experimentar. É justamente isso que chama a atenção: o paradigma da teoria manda não acreditar em nada que vá além das experiências que se tiver. Dessa forma, a teoria se propõe a oferecer projeções fora do corpo induzidas de forma consciente com a manipulação da energia vital, sem drogas, santo daime, saravá ou coisa parecida. Para quem nunca tinha ouvido falar como eu, é impressionante pelo fato de que existe um grandioso centro de estudos no oeste do Paraná, que conta com centenas de pesquisadores. Todos voluntários, já que a organização não tem fins lucrativos, o que sempre é um ótimo indício de seriedade. Para quem se interessou por não entender porcaria nenhuma do vídeo, aconselho um passeio pelo youtube com as buscas por conscienciologia, projeciologia ou Waldo Vieira, que é o guru barba-branca dessa obra toda, esse que aparece no vídeo. Descobri que o barba-branca faz todos os dias tertúlias gratuitas e ao vivo, das 12:30 às 14:30, em que explica a teoria. Para dar uma olhada é só entrar no site abaixo que também traz outras informações:
http://www.tertuliaconscienciologia.org/
Minha intuição me sussurra nos ouvidos de que isso é um passo adiante. Minha curiosidade não vai conseguir não futricar para conhecer os pormenores.
Existe um site oficial com informações e as cidades que contam com núcleos de estudo e eventos gratuitos para curiosos: http://www.iipc.org/
Tudo interessantíssimo, como só as coisas invisíveis podem ser!
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O Direito no País das Maravilhas - Parte 4

Eis a lição de Alice. No início de sua aventura no País das Maravilhas, Alice logo se acostuma com as tantas coisas esquisitas que lhe sucedem e passa a pensar em como seria sem graça e maçante se a vida que tinha seguisse da maneira habitual. “Cada vez mais estranhíssimo!” exclamou Alice (a surpresa fora tanta que por um instante realmente esqueceu como se fala direito) . Talvez esquecer seja o grande desafio do Direito, para que possa não ser mais o mesmo – ou apenas um bocadinho diferente – e que consiga responder a mesma pergunta de Alice: Afinal de contas quem eu sou? Ou para quê sirvo?
O abandono da bóia da razão normativista é vital para que se permita esse duplo efeito da morte no Direito: abandoná-la como a pulsão fruediana que indica paralisia e abraçá-la como processo de introdução ao inédito que surge com a criação. O instinto criativo ganha na teoria de Jung uma importante dimensão e é colocado como derradeiro e mais aprimorado na escala que redefine a libido – não mais reduzida à sexualidade como impunha Freud – mas como energia psíquica totalizante. Jung elaborou uma escala de instintos interdependentes que compõem o complexo conceito de libido (energia psíquica) em sua teoria. (1) autopreservação, instinto primeiro de saciar-se com a alimentação; (2) preservação da espécie, com a sexualidade; (3) ação, aqui compreendida de modo amplíssimo; (4) reflexão e (5) criatividade . Para Jung essa é uma escala de instintos que obedece a uma relação de precedência natural, ou seja, não haverá inclinação à sexualidade se, antes, não houver sido satisfeita a sensação de fome.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Olhares distantes...
Contos Imediatos XXIX

Teatrite

Esse é o problema.
Muita roupa, ninguém pelado de verdade
Pessoando
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Monarcas diletos

segunda-feira, 19 de julho de 2010
O amor de todos

Todos são amor,
Uns por medo
Outros sendo.
Todos são amor,
Com sossego
Ou fervendo.
Todos são amor,
Sentindo texturas de outros dedos
Ou sozinho aborrecendo.
Todos são amor,
Na vazão da noite ou bem cedo
Esperando, se vendendo.
* * *
Todos são amor,
Titubeando a qualquer lado
Nos agoras, no porvir.
Todos são amor,
Os que vivem e os acordados
Não se há que iludir.
Todos são amor,
Apesar da ausência do presente – esse estado
Malditos relógios a confundir.
Todos são amor,
Rezando pálido ou emrubrado
Que a poesia é o amor que está por sair.
domingo, 18 de julho de 2010
Florbela de domingo

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno
Pois ando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…
Os meus sonhos agora são mais vagos
O teu olhar em mim, hoje é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e presságios!
A Vida, meu amor, quero vivê-la
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor!…As nossas bocas juntas!…
sábado, 17 de julho de 2010
Contos Imediatos XXVIII

- Lembrou o quê?
-Lembrei e só... Se bem que não foi só. Na verdade eu lembrei e você estava junto, e ficou até depois que eu não lembrei mais.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Lindíssima canção de Geraldo Azevedo
INCLINAÇÕES MUSICAIS
Quem inventou o amor
Teve certamente inclinações musicais
Quantas canções parecidas
E tão desiguais
Como as coisas da vida
Coisas que são parecidas
Feito impressões digitais
No violão esta mesma subida
Na voz a rima de sempre
Coração essa mesma batida
Que bate tão diferente
Quando acontece na gente
O mesmo amor
É um amor diferente demais
Quem inventou o amor
Teve certamente inclinações musicais
Geraldo Azevedo
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Saramagueando

quarta-feira, 14 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Meditações longevas

De chofre,
me pus a imaginar os contornos,
os detalhes insuspeitos,
o desbaratino dos cantos escuros,
ah os cantos escuros...
serão úmidos ou empoeirados?
E a gaveta,
se entreabriria docemente para mim,
que esconde meu tesouro?
Qual pétalas a permitir
o néctar vindouro?
Mas cogito.
E reflito.
E indago insone tua textura, tua cor...
Será amadeirado ou leitoso teu leito?
De mais a mais,
te especulo em tom perfeito.
Desde as vestes que escondes
até os perfumes trancafiados em ti,
prêmio de quem tuas portas abrir...
*
Nada disso é disparate,
pois assim te medito,
armário bendito
que guarda meu chocolate.
PFF
O Direito no País das Maravilhas - Parte 3

O surrealismo tenta provocar uma explosão nas máscaras de um cotidiano conformado, escravizado por uma maneira única de pensar, que se pretende puritana e logomaníaca. Ao afirmar que a razão é a essência do homem, como insiste o legado de Descartes, já se está a afirmar a sua divisão, a existência de franjas marginais, conclui Warat apoiando-se em Breton. Não se pretende com esse passeio literário oferecer respostas ou bóias de salvação para o Direito. O que se busca, simplesmente, é promover movimento. Abanar a fumaça inerte do Direito para que se desvelem novos ambientes, novos cenários. É como mover as lenhas da fogueira, não para aumentar a quantidade de madeira por impossível tarefa, mas para acender as que ficaram à margem, intocadas pelas labaredas.
Freud é auxiliar para entender a energia vital que surge de todo movimento. Definiu uma dicotomia em sua teoria que bem traduz essa ausência de nomadismo no Direito: contrapôs a pulsão de vida (Eros) à pulsão de morte (Tânatos), sugerindo que a primeira indica movimento contínuo de vida e que a outra, ao contrário, simboliza a inércia absoluta representada com o defunto, com a morte, com o corpo carente de vida. A morte designa o fim absoluto de qualquer coisa positiva: um ser humano, um animal, uma planta, uma amizade, uma aliança, a paz. Não se fala da morte de uma tempestade, mas sim da morte de um dia bonito.
É dessa vizinhança com a simbologia da morte que o Direito, assim como toda produção do conhecimento, deve se afastar. Mas porque esse é um escrito surrealista e que se pretende criativo, desvinculado do caráter unitário das verdades científicas; a morte pode se revestir de um sentido além do dado por Freud. Pode ser entendida como revelação e introdução, já que pretender novidades é ir atrás das iniciações e dos recomeços, esses que tem sempre a morte (simbólica) como prelúdio. A morte é agora marcada pelo seu poder regenerativo, fundador. Seja lá como se queira observar a morte e usa-la como analogia, o certo é que aqui será usada como forma de produzir energia de movimento, para fazer caminhar. Tal qual pretendia Eduardo Galeano quando comparava o horizonte às utopias, dizendo que estas são como o mutante horizonte que se esconde na medida dos avanços que se dá: servem para a grande tarefa de promover passos, diz Galeano.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Quadra do silencio sincero

quarta-feira, 7 de julho de 2010
O preço da filosofia

Pena que não dê nenhum trocadinho.
É que filosofar só enriquece a alma,
que por levíssima, não custa nem um pouquinho.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Diálogos sobre a amizade

...
Preto, a vida tem sido complicada desde a volta e isso em nada justifica o longo tempo sem te escrever. E na verdade pouco importa porque pra ti eu nao preciso justificar sequer perdir perdao. O paulo é porque o paulo sempre esta.
e quarta-feira, a exemplo do teu concurso triunfaremos. Marcharemos silenciosamente para a glória que é dos outros e não nossa... Porque pra nós foi simples, sem heroísmo, foi complicado quando deixamos, mas sempre que quisemos foi simples.
e nesses momentos, sempre ternos momentos, que o amigo vem a tona. O melhor sempre vem na memoria quando as datas sao marcantes mas principalmente quando a vida nao é. O amigo celebra o dia a dia, a pequena vitoria, [...] o amigo é o que comemora quem não nos quis porque sabe que vai ser o motivo de longa manifestacao intelectual. O amigo paulo é o que comemora que eu existo. E só.
O amigo foi lembrado resumidamente: "Aos amigos longevos, macróbio Paulo Ferrareze Filho o que nunca sabe nada e nunca nada. Um brinde de Coca amiga, a desvirada a casca, a cidade crianca. Sobramos nos."
O amigo fica sem saber e como nao sabe nada nunca. nunca sabe. Só sabe que quarta o aplauso de muitos se lavantarão em nosso louvor. Porque se esse trabalho nao é teu, nao é de ninguem.
Paulinho, obrigado por sempre estar na minha vida. E ainda e sempre.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Contos Imediatos XXVII

Todos os que não amavam ninguém resolveram criar uma associação. Por meio do anúncio nos classificados de domingo, se matricularam os solteiros e as desquitadas, as viúvas e os mal amados. Mesmo minoria, também alguns casados aderiram à agremiação... sabe-se de há muito que a formalidade cultural do casamento não é pressuposto do amor eterno como rezam os padres incautos, que tanto querem amar as freiras e os coroinhas imberbes. A instituição seria batizada de Associação Para Amar em Comunidade. E tinha pretensões literais: amar a todos em comum-unidade, mais ou menos como manda a Bíblia. Nada de casais. A associação se pretendia uma grande orgia do amor, permitido-se, inclusive, o sexo, desde que contasse com mais de dois associados. Para a primeira assembléia todos os associados foram convocados para votar as cláusulas do estatuto que preveria as regras da comunidade de amantes, no sentido nobríssimo do termo. Logo na entrada e nos arredores do prédio onde funcionaria a associação, os futuros afiliados foram se encontrando e se encantando, cada um por um outro. Cometeram-se alguns beijos que uniram os céus do mundo e das bocas. A sessão sequer foi aberta. E em pares foram amar em suas casas, em particularunidade.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Vai dizer que não?

Friedrich Nietzsche, Além do Bem e do Mal






