domingo, 18 de julho de 2010

Florbela de domingo



O NOSSO MUNDO

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno
Pois ando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos
O teu olhar em mim, hoje é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e presságios!

A Vida, meu amor, quero vivê-la
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor!…As nossas bocas juntas!…


Florbela Espanca

5 comentários:

  1. "Meus versos!… Sei eu lá também que são…
    Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
    Partido em mil pedaços são talvez…"
    Ela é mesmo maravilhosa! Obrigada por nos presentear com essas palavras... Nesse dia tão cinzento, versos podem ser um lenitivo para saudade...

    ResponderExcluir
  2. Tenho que concordar...pq reli a última parte do soneto e pensei : caraio! "Que importa o mundo e suas ilusões defuntas??"

    ResponderExcluir