sábado, 19 de novembro de 2011

MARANHÃO

É preciso, no mínimo, ter MEDO de um povo que mistura pornô com chegada de disco voador. 

Eu estava pronto pra sair. Aí tive que vir até aqui escrever. Acho que sou escravo de espíritos de escritores frustrados que estão mortos. Simpatizo com todo escritor frustrado. O escritor que é um escritor e que não tem livros publicados. O escritor como um dever-ser, uma potência, que é uma ansiedade pela dúvida de uma ereção. Um escritor com livros será para sempre um escritor de verdade. Escrever sem ter livros e, portanto, sem ser um escritor aos olhos de quem quer que seja, é um exercício hermenêutico, um não ser nem dia nem noite, senão um interlúdio entre o dia e a noite; é abdicar da vida para escrever. Eu tava prestes de sair à rua, mas fui detido. Dirão: - "esquizofrênico", mas respondo - "só talvez". Um escritor marginal e não publicado deixa de participar de um pedaço da sua vida por conta da escravidão do ofício, mas sem pobreza, nem riqueza. Sem orgasmos de porco, nem dificuldades de gozar. Pedacinho consciente do grande nada.







Vamos à poesia, pois.


Senti por ti,
uma vontade.
Uma benção,
um querer o bem.

Toquei de novo,
com a ponta dos dedos,

o tato de uma grande ejaculação.
Seria Deus uma grande ejaculação?

Ou Ele um momento D’ela?

Requentei a alma
no fogo do desejo,
quem já provou as queimaduras do desejo,
sabe que é um prazer via dor.

Paixão arde e depois mata.
Sabem os serpentistas do nordeste.

Sabem os poetas eventuais.

Visitei o inferno.
Visitei amigos em tabernas,
em hospícios manicomiais.

O céu, depois que saí do inferno,
se tornou um verdadeiro inferno.

Do mesmo inferno que são as filas longas no mercado.

No céu não há fliperama,
não há palavras-cruzadas,
não existem corridas de cavalo,
MMA, internet, Mega-Sena, livros,  tralhas existenciais.
Dizem que lá tudo acontece e não acontece ao mesmo tempo.

Lá não há cor porque os deuses estão acima da cor,

não existem rodas de violão, porque toda música se compactou.

Não existe sexo com uma nordestina, porque o gozo é um orgasmo múltiplo sem fim.
Não existe bebida, porque lá, beber é muito senso comum.

O Céu deve ser uma merda.


Senti saudade porque queria que teu longe fosse,

não só perto, mas BEM PERTO.

Um perto de “aqui do meu lado”.

Tu pelada. Eu pelado.



Até onde eu te queria?
- isso eu não sabia.
Mas eu te queria.
É um erro querer entender o “queria”.
Eu queria porque desde a primeira vez,
tua pele na minha pele ardia,
mas um ardia só de banho quente.

O gelo infinito queima.

Eu pra reagir, tenho reagido contigo.
Queimo como um pedaço de churrasco no fogo.

A gente reage quando queima,
que é ficar se esfregando,
que é um ficar se transformando.


Essa tua viagem foi uma merda,

7 dias, tic tac sem teu corpo...uma merda.
Essa tua viagem foi sinal de alerta.
Macas à postos. Paramédicos. Helicóptero de Emergência.

A cerca é tentada pela revolução a cada reação contigo.
Há uma armada, à porta do castelo.

Reagir! Tenho reagido contigo!

Queimo?
É certo. 
Mas que seja perto.


7 comentários:

  1. Bah... vou por mail pq tá sério! Bj!

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  2. Escritor é tú! Paúlo com acento no ú...

    Essa foi das mais das profundezas do inferno até hj!

    Escrita, lida, dita, sentida, vista, sofrida, vivida na plenitude da poesia!

    Sem mais palavras perto desse monstro!
    Como dizem para os atores antes de entrar em cena:
    -MERDA!

    os deuses devem estar com inveja...

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  3. Intensa a poesia e curiosa a imagem, confesso que ainda estou boiando.

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  4. Poesias não são feitas para serem entendidas, isso é utopia, basta que sejam sentidas!

    Paulinho sempre bom com as palavras,
    only shit!!!!!!

    Beijos

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  5. Grande Mago, os anjos caídos sempre estão ao redor, contando coisas. O negócio é não entender como disse a Fra Petter, só não entendendo que as coisas persistem!

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  6. Paulo, escrever sem ter livros não basta para que o deixem de te considerar um ‘escritor’.
    Muitos livros não alegram corações. Muitas palavras não encantam, não seduzem, não emocionam. Seus textos, poesias e desabafos, são dignos de, como disse Victor Vernes... causar inveja aos Deuses.
    Beijão!

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