quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Poesia acamada





Oh verde das matas virgens,
Oh vermelho das bochechas enamoradas,
Oh amarelo do crepúsculo de fim de tarde,
Oh branco das espumas do mar...
Oh arco íris de cores naturais,
das cores limpas de toda lúdica poesia comportada.

Mas onde estará a poesia desgraçada?
Ei-la posta ao pé do chão,
no vão da calçada!
Salivada poesia de cores, moribunda,
espatifada, mal educada.
Oh verde do muco gripal,
Oh vermelho do sangue tubercoloso,
Oh amarelão de toda infecção nasal,
Oh branco do transparente cuspe cavernoso.

Oh arco íris de cores naturais,
das cores sujas de toda poesia do mundo.
A poesia adoentada, mesmo coitada,
sabe doer sua dor, convalesce,
e levanta renovada.

Oh arco íris de cores naturais,
de todas as cores sujas
de toda a poesia
de todo mundo.

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