sábado, 11 de dezembro de 2010

amanhã talvez





Onde estão as ondas do rádio?
Estarão além das montanhas?
Como chegam até o carro que percorre os vales?
Como atingimos as coisas invisíveis?
Onde foram parar os pêlos de barba que não nasceram?
Será que ficarão em um quase?
Será que os pêlos vão mesmo desaparecer com o tempo?
E o apêndice? E o "minguinho"?
Onde está meu apetite?
Fome, cadê você?
Cadê o botão “alimentar-se” nos seres humanos?
Onde ficou o desejo de virar jogador de futebol?
Será que realmente eu nunca joguei porra nenhuma?
Onde esqueci aquela camiseta cinza?
Terá sido na minha velha casa?
Onde está a solidariedade?
Ninguém mais se importa com um desgraçado passando fome na rua?
Onde está a capacidade de habitar o estar alheio?
Ficou no prelo dos tempos que vivemos?
Ou o ser humano é filho da puta desde sempre?
Onde ficaram aqueles projetos de vida?
Os meus, os teus, os nossos?
Onde foi que perdi o tesão por todas aquelas festas e bebedeiras?
Terei broxado para as energias extravagantes e externas?
Como mudamos tanto?
Por que eu não sou mais a cada segundo do relógio?
Por que um segundo passa tão rápido?
Por que um segundo passa tão devagar quando o vaso está longe e estamos apertados?
Onde está a vontade de torrar a pele na praia?
Será uma desculpa de alguém que nunca poderá se bronzear?
Por que os grãos de areia são tão miúdos?
Por que a areia não é uma pasta homogênea e uniforme?
Onde está a vontade de comer coisas saudáveis?
Ainda vou conseguir parar de comer a morte das carnes?
Onde ficou meu desejo de ganhar na mega-sena?
Será mesmo que dinheiro não traz felicidade?
E se trouxer, como conseguir a felicidade?
Se eu virar um vagabundo, será que posso ser feliz?
Existe algum ócio que não seja criativo?
Criar é externar ou é pensar apenas?
Criar apenas pra não morrer?
Eu quero ser feliz?
O que eu quero sentir é mesmo a felicidade?
Ou tem outro nome?
O nome do que sentimos importa pra quê?
Perguntar é um mal dos ansiosos?
Onde estão os aparelhos de cd?
E os cd’s por que ainda são tão caros?
Por que tudo tem um preço?
Por que as pessoas não conseguem pagar os preços?
Como se sentem os que podem pagar e não pagam?
E os que podem e pagam e matam de sede outro tipo da mesma raça?
Somos mesmo todos da mesma raça?
O que é uma raça?
Qual a minha?
E a ratio, vai mesmo ir pro beleléu?
Existe só a emoção e a razão?
E o resto?
E as parcelas fragmentadas?
Somos feitos só de cabeça e só de coração?
E os pulmões?
É importante o ar em nossas vidas?
Onde deixei a vontade de ter um BMW?
Posso viver sem ar dentro de um BMW?
E sem amor?
O universo é mais profundo em uma pessoa do que em mil?
E as pererecas, são mesmo profundas?
Será que elas têm dentes malignos que nos esperam vampirescamente?
O cara que sonhou com a perereca dentada era virgem?
Onde encontrei a verdade sobre o amor?
Encontrei?
O que é a verdade?
Onde vi aquela paisagem que não sai da minha cabeça?
Eram ondas de poesia ou um tsunami?
Onde estão os guarda-chuvas todos?
No reino das piadas sobre os guarda-chuvas?
Os lixões hospedam os guarda-chuvas?
Onde está o inconsciente coletivo?
Onde está o inconsciente?
Coletividade é flertar com o umbigo alheio?
Onde ficam guardadas as cartas que não são enviadas?
Será que com o computador acabaram-se as gavetas de cartas?
E as cartas de Tarot, dizem o que não podemos ver realmente?
Por que o ser humano fica viciado em cartas?
Por que fica viciado em qualquer coisa?
Será que dá pra viver sem nenhuma necessidade?
Será que dá pra morrer sem nenhuma necessidade?

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