quinta-feira, 24 de outubro de 2013

orgasmo no clitóris é como fumar e não tragar




Então falamos sobre como ela gostava. Me disse que tinha construído sua própria via-régia até o orgasmo. Eu ficava imaginando não o gozo em si, porque esse eu sentia, mas o caminho. E que tipo de paisagem erótica ou exótica ela via enquanto ia caminhando até o abismo do orgasmo. E o modo como caminhava, ou se rebolava, ou se corria, ou se deslizava. Ou se era abduzida na hora do abismo ao invés de cair. O orgasmo feminino é mais misterioso que todo o Cosmo e os Buracos Negros e os OVNIS. É da natureza do êxtase não ter direção, nem noções espaciais precisas. É uma espécie de lambida que a gente dá na morte. Ela preferia orgasmo interno, o choque das paredes internas, o frêmito invisível dos sucos espalhando-se por dentro. Disse que gozar pelo clitóris era como fumar um cigarro e não tragar. Fiquei pensando em como sabemos pouco sobre o corpo de uma mulher. E nada sobre sua alma. Em como somos miseravelmente ignorantes. E em como somos óbvios com nosso pau ali honestamente pendurado, e nosso orgasmo inegável, e todas mentiras que não sabemos mentir.

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