segunda-feira, 9 de abril de 2012

MÍNIMAS PÉSSIMAS E PESSSIMISTAS - 14



Estou cansado de conhecer gente nova porque sempre parecem alguma coisa que já conheço. De novo acabam não tendo nada. 


***

BRASIL, O PAÍS DO FUTURO: Aqui os cachorros ainda dormem nas ciclovias.


***

Sendo triste, vivo numa cidade alegre. Quantos tristes vivem escondidos nas cidades alegres? Essas penitenciárias a céu aberto... Nas cidades alegres as ruas não principais são normais como as ruas de qualquer cidade, e andar por elas é um cortejo fúnebre.


***

Dias atrás eu briguei com a gerente do mercado. Uma garrafa de vinho tinha duas etiquetas com preços diferentes e ela acabou me cobrando o maior valor. Fiz uma cena, falei que faria uma reclamação ao dono, ao Barack Obama ou a alguém importante. Acabei não fazendo nada porque reclamar do jeito certo é burocrático e trabalhoso demais. No futuro não haverão danos morais porque os pedidos de indenização serão por tempo perdido. Este será o nosso pedido. Nosso tempo será muito mais caro que a nossa dignidade. Nosso tempo terá valor como ações de uma empresa na bolsa. Rose, a gerente, estava salva pela minha falta de tempo e paciência, porque eu tinha um pé no presente e outro no passado. Hoje quando cheguei no mercado a Rose estava lá. Me olhou com gelo nos olhos. Ela nunca saberia se eu lembro dela e, se dela lembro eu. Quando ela passou por mim acompanhei a bunda com os olhos. Dentro da calça, a bunda da Rose era bonita. Muitas bundas vivem assim, às escondidas, como travecos de rua que escondem a verdade de um jeito óbvio. Era óbvio que aquela bunda da Rose era uma farsa. Eu podia imaginar os pêlos, os furos, aquela calcinha posta pra não ser vista por ninguém. Eu tinha perdoado a Rose, mas a gente, um para o outro não servia pra nada. Minha antipatia começa pela bunda.

***

As primas, as alunas, as mulheres casadas, as evangélicas guardadas por Deus, as primeiras-damas, as filhas únicas... personagens dos séquitos da subversão.

***

Nas livrarias, mulheres ficam mais bonitas, mais cheirosas, mais deliciosas. Nas livrarias, ficam com as unhas feitas, ficam com a bunda mais ajustada e com o cabelo mais sedutor. Se estiverem nas prateleiras marginais, mais gostosas ainda. Se não estiverem na sessão dos mais vendidos, mais belas ainda. Se prestarem a atenção mais no livro que manuseiam do que na mirada falível de um homem babão, então são rainhas. A livraria é um salão de beleza.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O PRINCÍPIO







Cheguei.
22horas.
Cansado.
Atrasado eternamente, mas sem saber pra qual compromisso.
Tudo de novo.
Aquela gente podre.
Pouca luz pra dar menos vergonha.
Medos por todos lados.
Escapadas com o jeito, o olhar...e até com a alma.
Quem sorria, era de mentira.
O que se estendia a mim.
Eram tristes e nem sabiam.
E sentir essa tristeza alheia era minha corrente e minha bengala.
Pedia que doesse, de um jeito ou de outro.
Era assim. O princípio de estar vivo.

MÍNIMAS - COM ALGUM NÚMERO QUE NÃO LEMBRO



BEIJO PORNOGRÁFICO: "um beijo nela e em ti."

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Quantos podem dizer, como se uma flor nascesse de toda a terra do mundo, ou como se uma réstia de sol quente entrasse pela janela fria do inverno, quantos podem dizer o que a maioria apenas imagina.

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Somos máquinas que trepam, com intenções escondidas atrás dos ponteiros do relógio, manuseando o tempo, solicitando vantagens e utilidades inconscientes, guardando um resto de comida no estoque para quando tudo é escasso. Somos essas máquinas que se sabem máquinas, e choram lágrimas digitais, distantes, em uma velocidade impossível ao coração.

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CETICISMO: Querendo desejar uma boa páscoa, sem querer desejou feliz natal.

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Dá um enjoo danado quando, lendo outro, me vejo. Sobretudo quando escrevem mal.

***

Dito melhor: quando alguém que leio tenta escrever o que não pode ser escrito, assim com um ar romântico, ou com um desejo heroico estilo Chapolin Colorado, sinto vontade de virar uma mesa de centro sem sentimento.

***

O clima é a fraternidade que o povo consegue.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

MÍNIMAS (DE PÁSCOA) - 13










O único que carregou cruz na semana santa foi Jesus. De lá


 pra cá, o povo quer viajar, encher a cara, comer 


peixe sem espinho, deixar que a cruz e tudo se exploda, até


 o próprio Jesus, que já não serve pra nada na 

Páscoa! Viva as farsas religiosas do mundo secular.



***



Os Tribunais do "trabalho" não Trabalham na quarta santa, 


na quinta santa, na sexta santa. Santa


 é a nossa


tolerância institucional...



***

O Estado só não é laico na sexta-feira santa...


***


PARADOXO SECULAR: O Judiciário gaúcho, que mandou tirar


 os crucifixos imbecis das salas de audiências e

 repartições públicas, vai folgar na sexta-santa...


In Jesus we trust (just in holydays)!

BURRICE




Cogito coisas em tom de "se e quando".
E percebo que não suportaria.
Pago pra ver.
E vejo que esqueço o quê havia percebido.
É um ponto cego num pedaço de carne inteligente.
É tomar blefe de um iniciante.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

PARTILHA





Escuto um choro delicado em ouvidos que são meus,
de um LP que era do meu pai, 
na vitrola que foi do meu vô.
Divido esse choro com todos argonautas, astronautas, internautas, 
com quem deve e com quem teme,
com quem se gaba por pensar que é de fino gabarito,
com quem lembra ou já esqueceu.
Divido este choro com quem faz a janta 
e com quem grita com a cria que chora porque o grito não pára.
Compartilho com quem não me suporta ou tão bem assim não me quer,
com os que não se afinam com meu olhar,
porque somos assim estranhamente distantes no olhar
mas irmãos em quase tudo.

Com eu partilho, 
porque sou no fundo um egoísta, 
que divide porque sabe que ainda ficará com todos os pedaços.
E talvez este seja um importante segredo do autoengano e do amor: 
pensar que o pedaço é tudo.

domingo, 25 de março de 2012

AI DEUS!











A grande divisa que separa fé e ateísmo, e toda a discussão que envolve Deus, é um equívoco: o equívoco sobre a necessidade de indagar a existência de Deus. Enquanto essa pergunta ocupa o lugar central de todas as discussões do tema, outra é deixada de lado. Afinal, se concluíssemos sobre a existência ou não de Deus, quais alterações teríamos em nossas vidas? Provavelmente nenhuma: continuaríamos acordando, tendo que lidar com nossos medos, trabalhando sem parar, esperando as esperanças que temos. Por outro lado, se estivéssemos realmente atentos com essa discussão histórica, lançaríamos luz não na questão sobre a existência de Deus, mas na existência da indagação e sua possibilidade de projetos em nossos rumos pessoais e coletivos...É o endeusamento da indagação que faz com que coloquemos em xeque tudo aquilo que de mais comum divinizamos em nossas vidas - do nosso cachorro vira-latas ao nosso estilo ou "filosofia" de vida. Esse indagar é o único meio de perceber o que de podre existe em nossas posições, crenças, opiniões e jeitos de ser. Para encontrar nossas "divindades" legítimas, matando deuses do passado, modos de pensar e agir que não servem mais, ou que são cópias toscas de nossos pais fora de moda ou de nossa comunidade atrasada, precisamos dessa ode à indagação...E duvidar de alguma coisa que se diz absoluta como Deus é o 1o passo. Não consigo ver o ateísmo como nada além disso: um primeiro passo em direção à morte de um Deus geral e de encontro de divindades pessoais. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

MÍNIMAS - 11





A vida é curta porque depois que descobrimos tudo que podemos com o corpo, temos que

descobrir como mantê-lo. Depois que descobrimos como mantê-lo, temos que encontrar o

lugar de deixá-lo. A vida é um estar às voltas com um corpo que cobra.


***

A simplicidade é o falso argumento de todos os tipos de pão-duro.

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ALTERIDADE DO BOQUETE: exigir que a mulher engula é crueldade, mas ter pressa pra cuspir é falta de etiqueta.


***

Fiapos de narcisismo: cogitei uma mulher ideal, e me imaginei ao contrário.


***

Um homem só pode saber a duração de um romance depois que conhece o mamilo da mulher. O mamilo é a mandala dos relacionamentos.


***


Uma flecha sem a nostalgia do arco nem avidez pelo alvo, é uma flecha que sabe das coisas.



CÍTARAS QUE ENTOAM UM CANTO

A nostalgia é sempre uma sensação que já tivemos.
A nostalgia é sempre um bem.
Aos terrores de antanho, usamos a lembrança.
E as chamamos de lembranças más,
sem notar que não se tratava de maldade, mas de uma condição.
Não há como pesar o passado porque sempre o fazemos daqui,
do presente que nos pesa nos ombros,
como se fossemos cristos com uma cruz sem os louros de um cristo.

Não sei pra quê serve a saudade, ou como se usa, ou em que ocasiões.
É compreensível que a saudade nos confunda.
Pois saudade se sente ou do que doeu, ou do que curou.
Se pensamos na dor, sabemos que deu pra deixar de senti-la.
Se é caso de cura, é  desejo por poder:
por poder de ser um outro capaz, sobretudo, de abandonar dores.
Ter doído é um poder, quase uma vaidade dos anciãos em tudo.

Penso aliviado,
remexendo os pés sem meia que se cruzam,
deliciado em cima de um balanço que balança para me fazer ver a vida.
Ver assim sem estar nela.
A nostalgia é um vinho que se bebe sem pressa e pretendendo sempre o calor do passado.
Não há nada mais intenso que o ontem, nem nada tão sedutor quanto o dia de amanhã.
E o que se passa ao redor desses fantasmas,
é um piano manso num dia qualquer de uma semana comum.
Ou mesmo qualquer outra coisa banal e sem intenções grandiosas.
Grandiosidades são fetos anencéfalos, com morte garantida como prêmio.
Só a potência da semente tem uma ereção vital imbatível.
A semente disfarça, é cotidiana, é uma entre tantas, é comum.
E ser comum é uma delicia saborosa, como filme bom ou sexo com amor.

Traí os loucos,
deixei na porta da escola num fim de tarde de inverno os pequenos rejeitados,
subverti tudo o que de subversor havia.
Sensaciono, que é o mesmo que o sentir significa para o sentimento.
Não se trata de sentir sensações, mas de sensacionar.
Sensaciono nostalgias que tive, mas assenhorado do que fui.
Com nostalgia sensaciono só belezas, carinhos, delícias e bem-querer.
A nostalgia ganha da vida com um blefe.
É um ganhar da opressão da vida sem mérito.
É um estar ofegante mas sem ter cansado no caminho.





sexta-feira, 2 de março de 2012

MÍNIMAS - 10








Sinto uma estranha inveja da velhice dos outros, dessa velhice que 

vai aos poucos procurando o silêncio das casas de campo e que se 

alheia de todo o tumulto. Sinto inveja desse doce processo de 

encontrar o  lugar ideal de deixar a vida, como fazem os elefantes

que se afastam da manada no prelúdio da morte, esperando do fim, a

paz que a vida  roubou no durante.




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

PROSTITUTOS

Prostituição é andar na contramão do coração. É hipotecar a própria alma em nome de necessidades terrenas ou que não são nossas. Pode ser com sexo, mas também com o não-sexo.Existe prostituição contra si mesmo dentro do próprio casamento quando alguém deixa de se satisfazer (vale sexo casual, masturbação, saída com amigos, desejos inconfessáveis etc.) para não agredir a moral que paira sobre as famílias inautenticas que absorvem sem perceber a moral coletiva. Existe - e muito - a prostituição pelo trabalho...Quem, entre os tantos que contam os minutos do relógio esperando o expediente terminar porque odeiam o que fazem, poderá condenar uma prostituta "clássica"? Pode haver prostituição quando as nossas necessidades que parecem secundárias, são, na verdade, preferenciais e acabam prostituídas. Quem deixa de fazer alguma coisa por conta de uma imposição moral (e elas são como carrapatos em nós...) acaba se prostituindo. Prostituição também é um atalho falacioso para uma redenção mais falaciosa ainda. Prostituição é ir contra a moral do "bem" que se arrasta pela história, em especial, a partir do advento do cristianismo. Prostituição é deixar de educar em nome dos alunos que viraram clientes. Prostituição é abdicar dos nossos fundamentos bem pensados e refletidos em nome de um Éden que vive num tempo que não existe, o futuro. De algum jeito, somos todos prostitutos e prostitutas, não sejamos hipócritas. O "sistema" econômico é apenas uma das pressões que forçam nossa própria prostituição... Repito, apenas uma entre tantas. E - pergunto - se viver nessa terra que equilibra dores e delícias for também uma prostituição?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

CHAMADA DE TEXTOS PARA OBRA "DIREITO E PSICOLOGIA A PARTIR DE ASSOCIAÇÕES LIVRES"

No detalhe, Warat dirigindo o mundo jurídico com um prato vazio!


O objetivo da presente obra é reunir textos que abordem, direta ou indiretamente, a temática Direito e Psicologia.

Com a proposta de inovar quanto à produção de sentido deste estudo interdisciplinar, propõe-se que os textos sejam elaborados por meio de associação livre, ou seja, desvinculados dos clássicos rigores metodológicos dos textos e artigos acadêmicos.

Luis Alberto Warat, ao escrever seu Manifesto do Surrealismo Jurídico, nos legou, além do brilhante conteúdo da obra, a forma pelo qual a mesma se materializou por suas geniosas mãos. Dizia Warat que escrevia em forma de manifesto, ou seja, sem deixar que o jugo da razão pudesse limitar aquilo que jorrava de seus territórios selvagens, em alusão à força de seu próprio inconsciente.

Se, por um lado, para o cientificismo moderno a “desatenção” às regras metodológicas pode significar carência científica, de outro, entende-se que o comprometimento dos autores na formação da presente obra, aliado às suas reflexões “maculadas” por seus próprios inconscientes, podem contribuir para uma profícua fusão de horizontes dentro do tema.

Os textos devem conter de 10 a 15 páginas (não sendo este um limite rígido), com fonte Times New Roman tamanho 12 e espaçamento entre linhas de 1,5. Os textos deverão ser encaminhados impreterivelmente até o dia 29 de fevereiro de 2012 para o email: ferrarezefilho@yahoo.com.br



Atenciosamente,

Alexandre Morais da Rosa,
Paulo Ferrareze Filho e
Alexandre Matzenbacher (organizadores).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

NADA NOVO





No chão do quarto, as formigas estavam entranhadas num pedaço de papel higiênico sujo de gozo, o que comprova que as secreções do desejo humano são doces... talvez fosse a tal sacarose da 7ª série. Faz tanto tempo que passei pela 7ª série que já não lembro porra nenhuma sobre biologia. Talvez todo o ensino esteja formatado pra ensinar apenas que podemos aprender. Não o conteúdo em si, mas a percepção de uma potência que temos e não sabemos como usar.

O coração tinha chegado perto de um infarto do miocárdio, e tentava se recuperar, sedentário que era o pobre por conta da minha preguiça. O melhor a fazer era fechar os olhos, respirar fundo, esperar que a vida voltasse a acontecer como sempre: igual, lenta, sem sentido aparente, com sorrisos espontâneos inventados, cotidiana como manter o corpo vivo. O cotidiano assusta demais o povo, que quer viver no êxtase eterno, na eterna sexta-feira, nas férias eternas, com o pau sempre duro, com transbordes de tudo, no eterno pódio impossível...A vontade de gozo é uma fuga como são as drogas, o futebol, o trabalho, as seitas, o álcool ou o facebook. Viver é basicamente uma procura por escapes do cotidiano. É por isso que os drogados morrem, que os jogadores perdem tudo, que os loucos são internados, que os workaholics não têm lazer. Quando a vida se esquece de viver fora do cotidiano, nascem os problemas óbvios que não vemos. O óbvio é um grande filho da puta, porque sempre se esconde num lugar óbvio que, por sê-lo, é o último a ser investigado pela maioria dos babacas...

Nos limpamos e aproveitamos aquele pedaço de momento em que a vida valia a pena. Precisava de água, minha boca era a de um peregrino do deserto que só tinha amendoins pra beber, eu queria tomar um drink gelado. Fui até a cozinha e bebi um gole longo de água no gargalo, não havia drinks gelados nem copos limpos - e se houvesse, usar copos pra quê? Enquanto a água descia pelo meio das vísceras, eu não pensava em nada. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

masturbando o amor...





Masturbar o amor é o melhor jeito de fazer com que ele goze na nossa cara!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

MÍNIMAS - 9


Harmonia, pedia um mendigo no metrô


ELOGIO AO DETALHE: Ser contemporâneo é ter intimidade com o detalhe. É uma inteligência que, no braço de um violão, cria acordes que formam uma música calma de se ouvir na sombra de uma rede, calma e toda detalhada. Como um flamenco que se escuta sentado, tomando um vinho. 

*

A verdade, por ser o primeiro passo no ar de um pé que acaba de deixar a superfície, é impossível à vida. A verdade é apenas um "estar morrendo" qualquer, é um clic de uma catraca no meio exato entre duas coisas diferentes e imemoráveis entre si.

*

Por paradoxal que possa parecer, o homem-aranha é uma fantasia do imaginário coletivo para demonstrar a força destruidora do feminino. A mulher é a aranha-moira de uma grande teia, que desenha traços de armadilha nos ares da floresta escura chamada vida. Durante o dia e para todos, as vistas são o escudo contra a escravidão e morte na teia. Mas durante a noite, a morte e a vida ocupam o mesmo lugar... e estão sempre prestes a acontecer. 

*

Se um corpo desatento ou sem fortuna encontra a teia, tem sempre sua força de resistência testada. Precisa juntar todas as maiores forças para livrar-se da confusão da trama que se mistura com as pernas paralisadas,  precisa esperar que a anestesia da possibilidade de seguir caminho passe. A liberdade perdida no instante requer a energia necessária...mas não para sair da teia, senão para mostrar à grande aranha que pode sair. Quanto a este aprendiz que acaba na teia: ou acaba preguiçosamente permitindo o corte frio da foice da morte ou começa a desfazer o nosado a tempo, com a astúcia devida para desarmar uma bomba-relógio.

*

CONTINUAÇÃO CONTEMPORÂNEA DO COMPLEXO DE ÉDIPO: São as mães que nos matam de não estarmos vivos.

*

Todos os paus são pequenos. Um pau duro é uma antena que tenta captar algum sentido no universo inexplicável e no mistério do universo de um útero.

domingo, 22 de janeiro de 2012

AMANHÃ




Assoprei um pedaço de laranja,
como para esfriá-lo,
igual se faz com uma colher de sopa quente.
Mas era uma laranja temperatura ambiente...
Então comi, mastigando e pensando na loucura,
esse estado que se alcança com sorte, trabalho e força de vontade.
Depois de torturar o gomo com os dentes,
numa inquisição alimentar, traguei o pedaço.
E pude sentir ele descendo morto pelo meio do meu peito até meu inferno estomacal.
O estômago é o inferno das comidas.
Quando me coloco no lugar das comidas, sinto pena delas.
As coisas que andam plácidas e conscientes em direção à própria morte têm minha pena.
É que resisto,
não me entrego mesmo com agulhas enfiadas embaixo das unhas.
Seguro um muro que é vorazmente atacado por bichos loucos de raiva.
Sustento,
junto com os últimos soldados famintos
e loucos
e suicidas
e também os indiferentes,
um outro muro em ruínas,
que faz uma sombra curta num deserto sem nome.
A sombra dá pra metade de um corpo:
num dia é preciso queimar a pele das pernas,
no outro, o peito e os braços e a cabeça.
A dor de queimar uma pele já queimada é lancinante...
mas só até que não se sinta mais nada.

A laranja morrerá amanhã numa descarga,
junto com todos nossos pequenos pedaços e dizeres invisíveis.
Amanhã, logo amanhã.
E os refúgios também morrerão com os dicionários.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

MÍNIMAS - 8





É preciso decretar a inaptidão dos sentimentos ante os devires da vida. Sentir é um equilibrar-se incessante, é correr cansado atrás das mil faces de tudo. Sentir é um copo que, no ar, ainda não se espatifou no chão. Sentir é o trono da incerteza, é o amargo deste tipo de vitória humana a que chamamos "amor".

***

As ficções não existem, são manobras contra a falta de memória.

***

Um homem passa a se sentir um homem quando consegue se identificar com o próprio pai. Quando somos pequenos, queremos ser tão grandes quanto. Quando somos fracos, queremos ter a mesma força. Quando somos frágeis, queremos ser resistentes com a mesma indiferença a todas as dores e frios e chuvas. Enquanto somos alimentados, sonhamos com poder alimentar. Enquanto sentimos que a vida é maior das angústias, desejamos a serenidade de contemplar a vida da varanda calma da velhice. É desse jeito que passamos a vida a tentar alcançar este pai, imaginário ou não, que, de um jeito ou de outro, sempre vai à frente, imortal que é. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O BISPO E A TORRE







Um mês sem sexo.
Ela vinha pela orla,
puxada pelo cachorro enorme que se fazia de cachorro pra ficar perto dela.
O cachorro era forte, desses grandes,
grandes e espertos.
Com uns solavancos de coleira,
gerava nela uns trancos de corpo,
e com eles uma dança naqueles peitos que eram um artifício da medicina para que o número de estupros aumentasse.
Usava um tênis de fazer caminhada na praia com um cachorro.
Um short curto, desses que deixam o fim do mundo mais distante e comprido.
Uma mini-blusa vermelha, essa cor mestra de todos os pecados do mundo humano.
Usava também uma cintura fina por fora e fértil por dentro.
Comentamos:
- Bah, gostosa.
Depois avancei duas casas com o bispo, de um modo a ameaçar a torre preta.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

1o CAFÉ FILOSÓFICO NA PRAIA - A jornada do homem contemporâneo


De conversas esparsas, tonturas existenciais (um jeito bonito de se referir a porres homéricos) e uma ideia inicialmente pouco pujante, nasceu o Café Filosófico na Praia.

Desde que vim viver do mar, percebi que poucos eram os lugares de Balneário Camboriú/SC para exercitar e compartilhar o devaneio. O devaneador é, na maioria das vezes, um solitário. Devaneia não porque gosta ou porque sinta apreço pela confabulação, mas porque não pode fugir da tirania do devaneio.

Mas os devaneadores também amam. E o amor, quando aparece, sempre pede companhia. Quando o amor aparece em forma de flashes esparsos, o devaneador hesita e duvida da saúde da própria solitude, fazendo dela, solidão. Se a solitude é um pote de mel, a solidão é um ácido de bateria na carne que sente.

Contra a solidão não bastam poesias, músicas do Chico Buarque, nem vinhos de bom gosto. Quando chega a solidão do devaneador é preciso compartilhar. Os amores grandes são sempre solidões partilhadas. Silêncios divididos ao meio. Ausências que andam de mãos dadas. Charlas econômicas que se complementam. Contemplações que miram, do mesmo mirante, a mesma paisagem.

É para dividir a solidão do devaneio que criei, com mais dois amigos, o Café Filosófico na Praia, que bem poderia se chamar Espaço do Devaneio. Em Balneário Camboriú a divisão do espaço público se dá ou com ecstasy (nas festas de música eletrônica) ou com fé cega (nas igrejas de todos os tipos e raças e bandidos) ou com à ode a beleza da praia (na democrática(?) "faixa de areia", que nega e julga os brancos, os gordos e as mulheres com a bunda mole).

São raríssimos os espaços de devaneio no litoral com o sol e a pujança do mar, com pinga pra encharcar as ideias, com ideias que superem a grande filosofia "telófica" do "ai se eu te pego..."... 

É para compartilhar solitudes, para fazer da divergência uma rainha do amor e para aprender, que queremos dividir o espaço de devaneio no 1o Café Filosófico na Praia que terá como tema nesta primeira edição A jornada do homem contemporâneo, com palestras do carioca Renato Kress e do filósofo Wellington Amorim Lima, música de qualidade, animais do mar fritos como comida, cerveja gelada, caipira pra melhorar o QI, vista pro mar, amor rabugento, poesias e teatro.

Então, saia da superfície e se aprofunde conosco:

Data: 21 de janeiro de 2012
Horário: 17 horas
Local: Pousada Raiz Brasileira na Praia Brava/SC - Rua Carola Coelho, n. 57 (na beira-mar)

Programação
17:00 - Banda Diogo e Trio (violão, sax e cajón)
18:00 - Palestras
19:00 - Debate com o público
20:00 - Teatro arquetípico
21:00 - Balada Filosófica anos 70, 80 e 90.


>>>  ENTRADA FRANCA <<<


PATROCINADORES

Faculdade Avantis
Procave
Livraria Nobel
Pousada Raiz Brasileira
Clínica Equilíbrio
Fundação Cultural de Balneário Camboriú
Cinerama BC
Grupo de Estudos Interdisciplinares em Ciências Humanas, Contingência e Técnica -UFMA

sábado, 7 de janeiro de 2012

HISTÓRIA DA SEDUÇÃO DESMEDIDA



A Beira do Pantanal
Foi lá na beira do Pantanal
Seu corpo tão belo enterrei
Foi lá que eu matei minha amada
Sua voz na lembrança eu guardei:
"Por que, meu querido
Por que, meu amor
Cravaste em mim teu punhal?
Meu peito tão jovem sangrando assim
Por que esse golpe mortal?"

Assassinei quem amava
Num gesto sagrado de amor
O sangue que dela jorrava
A sede da terra acalmou
E lá onde jaz o seu corpo
Cresceu junto com o capim
Seus lindos cabelos negros que eu
Regava como um jardim

A lei dos homens me condenou:
Perpétua será tua prisão
Porque foi eu mesmo quem calou
Com aço aquele coração

E eu preso aqui nessa cela
Deixando minha vida passar
Ainda escuto a voz dela
No vento que vem perguntar:
"Por que, meu querido
Por que, meu amor
Cravaste em mim teu punhal?
Meu peito tão jovem sangrando assim
Por que esse golpe mortal?
Cravaste em mim teu punhal
Por que esse golpe mortal?

Raul Seixas

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

NOITE






Saio e contemplo a noite.
Como um lobo calmo e lento e invisível.
Dou vistas aos mal amados.
Jogo cartas com os bêbados.
Na esquina um cachorro coça o pêlo sob meu olhar de resignação.
Uma gorda rói as unhas por carências que não posso resolver.
Abraço os carentes de loucura à porta do manicômio.


Com os inconscientes, utilizo ainda mais inconsciência.
Aos que fogem, deixo que sigam em disparada.
Os que dormem num canto, atirados, esses têm meu apreço.
Aos que tomaram um pé na bunda, desejo que sofram até a morte.
A noite é a amante de um casamento com a solidão.



Vou amiúde,
cortando essas pestes que se espalham no pátio de uma casa esquecida.
Vou amiúde e lentamente,
até encontrar os que, 
embaixo de um teto, não têm uma casa.

Eu sento, sinto, penso, cito, pisco... tomo um gole.
Encharco as ideias sedentas - lombrigas de merda!
Me paro, me julgo, me analiso, me condeno...até que a morte me separe...
Estico as pernas, o sangue se espicha.
Escuto, enxergo, percebo, estou vivo... talvez eu recorde.
Acerca-se um qualquer, um nenhum.
Sinto com ele já que não há o que possa haver em outro lugar.
Sentir é um lar de irmãos.
Os caminhantes da noite se entrecruzam,
andam em círculos como zumbis.
Os do dia não deixam por mais.

Sinto-junto-com-o-que-sofre, 
talvez para roubar-lhe o sofrimento.
Sofro junto até não querer mais estar sofrendo.
E só não explodo porque sou um lobo já velho e respirante.

Compartilho um copo com a habitante.
Peço que a noite me tome em grandes goles.
Brindo com os fracassados a última vitória de uma rinha de galos.
Amanhã comeremos carne, 
já que só nos alimentamos com a ajuda dos dentes...

Tomo um gole.
Durmo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

BOAS FÉRIAS






Na carona das férias não tem cerveja.
Não tem sexo,
não tem nem sequer uma punheta.
No banco de trás,
todo peido será condenado.
No da frente também.

Na viagem de férias,
você poderá morrer a qualquer momento.
É perigoso achar que os que morrem são sempre os outros.
A qualquer hora alguém poderá vomitar em cima de você –
e os vômitos tem cheiros horríveis.

Ler causa um reboliço,
uma vontade conjunta de peidar, suar, vomitar e se projetar pra fora do corpo,
como se todo o corpo fosse uma bolha de ar e água prestes a explodir.
Pior quando existem cachorrinhos no banco de trás que vão peidando sem parar.
A verdade é que, 
lá pelas tantas, 
todos peidam com o mesmo fedor,
como as mulheres que menstruam ao mesmo tempo numa repartição.

Na mais democrática das hipóteses,
na metade do tempo,
você terá que escutar música escolhida por outra pessoa,
o que torna a chance de que seja um sertanejo muito grande,
considerando os dias de hoje.

Haverão as conversas sobre o tempo.
As paradas pra mijar.
Outras conversas que não chegarão em nenhum lugar e que vieram de lugar nenhum.
Piadas conhecidas sobre as placas de caminhão e
sobre as putas desgraçadas do asfalto.
Meditações de como aquelas casas rurais vivem tão singelamente mais felizes que nós,
que passamos correndo por elas em busca de algum alívio que nunca nos aliviará sem que seja mentira.
Ainda assim, faltarão muitos quilômetros.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

POEMAS POUCO ERÓTICOS DE VERÃO ou O POEMA DE LARS VON




Não deixe de assistir este filme...



Dizem que o diabo se esconde nas mulheres.
Eu acredito.
No futuro,
teremos coragem de ser machistas apenas no meio de uma bebedeira.
As mulheres,
de um jeito ou de outro,
são as responsáveis pela nossa vida e nossa morte.
Estamos rendidos,
com a benção de uma gaita de boca feminina.
Elas tem a chave que abre a porta entre dois mundos.
São lindas balseiras no rio da liberdade.
Sãs e salvadoras.
Eu, em nome de todos os homens,
declaro que baixamos as armas,
que nos entregamos por escravos,
que estamos rendidos.
No final,
sempre vence o mal.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DIABICES INFANTIS







Voltei a lamber tuas voltas,
enquanto tu acompanhavas

a miséria das minhas mãos trêmulas e suadas e nervosas e incertas sobre tua pele.
Minha petição era por morrer afogado de novo
na tua buceta úmida e cálida e venenosa.


Logo tua bunda voltaria a estar contraída e contariada contra o colchão,

expondo celulites que não julgam-se como tais durante um orgasmo.

Teu gozo sempre foi uma raiva expulsa,
uma angústia que deixava de ser câncer pela benção do êxtase do prazer do corpo.


Estaria eu de novo perto do teu ouvido passivo,
que esperava minha poesia de pernas abertas mas evitava meu pau de pernas fechadas.

Meu conduto poético vive na cabeça do pau,
que desabrigado, passa fome, fenece, esmorece moribundo.

Morre-se tudo: o amor, a amizade, o desejo, a poesia, potenciais orgasmos.
O talho é a haste dos óculos para quem pretende ver com lentes que façam ver de verdade. 


Mas volto-me pensando que tua boca -
não só ela senão também a língua,

fazia o pensamento em mim parar.
E já não sei se a poesia é por muito pensar,

ou porque, nas pequenas mortes, 
com o pensamento estacionado,
vou a uma grande despensa com enlatados poéticos nas prateleiras.

Ainda estávamos à flor da pele,

Resumidos a um beijo de sexos úmidos:
Tu, uma avalanche. Eu, gotejando.

A buceta que teus olhos viam pelo espelho,
era estranhamente minha porque chegava em mim como imaginura
 – e o cheiro como lembrança pornográfica.

Tua masturbação era a minha:
um jeito de continuar a paixão, a doença e o delírio.

Tudo que se relaciona precisa dessas 3 doses para ser eterno.
Nas feridas de cada um, estávamos estranhamente absolvidos e condenados,
livres e amarrados, respirando  o ar da vida à beira da morte.
Enquanto tua buceta continuava madura.
Meu pensamento ia madurando.

Um corpo maduro, saco de ossos se torna.
O pensamento, maduro se torna.

 Tu foste já minha alma e minha lama...
agora sobraram essas nuvens insossas.
Tua diabrura maligna se fez um chiclete vagabundo que rápido perde o doce.
Conceitos novíssimos talvez nos esperem,
para que tua sombra possa ainda me assustar.
Porque tenho saudade,
quero de novo o pesadelo devorando meus sonhos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

MÍNIMAS - 7





CIENTIFICISMO ÀS AVESSAS: Pesquisas afirmam que a maioria das mulheres são lésbicas no que se refere à pornografia...donde se conclui que toda pesquisa é uma grande mentira formada por pequenas verdade.

*
A melhor garrafa de vinho é a que permanece fechada pela urgência dos amantes.

*
UM AMOR QUE TRANSCENDEU DIZ: foste minha alma e minha lama... e só hoje nos fora permitido as nuvens. Eis uma experiência de totalidade estando vivo.

*
Os desejos subterrâneos de uma mulher merecem a calma de uma garoa que se arrasta ao longo dos dias e  que encharca, aos poucos, as entranhas longinquas do chão, até que toda a terra, amolecida por completo, caia sobre os vilarejos, devastando casas e dizimando almas.

ADULTOS NO ÚTERO DA HISTÓRIA

Na casa da paz, reina, além da paz, uma nudez despreocupada, um silêncio benigno, a calma das ruas marginais. Na casa da paz existe uma rede com tramas tradicionais, que se deixa ser tocada pelo vento sem sentir frio ou desagrado... Estando morta, a rede consegue ser mais forte do que eu que, supostamente, estou vivo, o quê, por si só, me desassossega.
Na casa da paz existe a potência da música, que dorme em cada instrumento não tocado – esse tão belo casamento entre homem e instrumento (se os casamentos fossem assim, uma conciliação entre o silêncio e a música, poderiam dar certo...) 
Para instalar a paz, como faz um técnico que instala uma antena de TV a cabo que multiplica os canais, é necessário abrir as gaiolas e deixar que os pássaros engaiolados voem para onde quiserem voar, isso se for caso de gaiola ainda não vazia.  
Com a liberdade dos pássaros, as gaiolas são inúteis, são adereços... Como espelho da natureza como faziam os antigos, cogito que ainda não sabemos separar o que é necessidade e o que é adereço com a liberdade que a história nos concedeu. É esse o cálculo a ser feito depois da conquista desse sentimento a que damos o nome de liberdade... Viver é perceber a vida como um amontoado de adereços decorativos que escondem coisas com as quais não sabemos viver sem... Do ponto de vista quantitativo, para cada um, há uma quantidade de necessidades - quanto menor elas forem, mais próximo do grande sono se está. Afinal, desde que se saiba que o grande objetivo da vida é morrer, não haverá mais qualquer sintoma da grande ignorância, desse som infra ou ultra que chega a tão poucas consciências sonares.  
A paz existe nos orgasmos de amor e de intimidade, na recuperação do fôlego que o excesso de participação na vida nos tira. É nesse sentido que o sedentarismo é um exercício poético: quanto mais plácido o corpo, mais rapidamente se perde o ar. Todos vivem de querer perder o ar, e é por esse desejo catastrófico de perder o fôlego que se instalam no homem todas as chagas do espírito. É esse desejo nirvânico, de tocar com os dedos o rosto de Deus e de descortinar a verdade por inteiro, que há que se decretar a falência de uma era. No cume das altas montanhas existe um baú com a inscrição “A HUMILDADE DAQUI PARA DIANTE...”. Dentro dele está, num frasco muito pequeno, a única gota que é necessária para que a vida se mantenha dentro de cada caminho de cada caixeiro viajante do novo destino. Parece zombeteiro? Em breve não parecerá...
A casa da paz abre as portas, para um mundo reinventado, com olhares sem medo, com uma injeção que pinga honestidade pela agulha, ávida para fazer matar e fazer viver, tingindo de verdade a verdade de cada um. O sol queimará toda pele fraca que não souber que a sombra é seu lugar. As teorias serão parciais, localizadas, regionais. Haverá uma outra metafísica, já que as matérias da metafísica serão experiências ligadas à carne, aos olhos, aos sentidos. Haverá calma ao dormir e interesses grandiosos ao despertar. Haverão ainda outros e novos caminhos para o devaneio. As casas serão, em todas as partes, igrejas.